Os Nossos Trabalhos

CANTAR ABRIL

Adriano Correia de Oliveira 


Biografia
Adriano Correia de Oliveira nasceu em Avintes no dia 9 de Abril de 1942, foi um músico português.
Cantou fado de Coimbra e era um elemento da geração de cantores da resistência ao Estado Novo, conhecida como música de intervenção chegando também a actuar com Zeca Afonso nos tempos do Teatro Experimental do Porto.
Concluído o ensino liceal no Porto foi para Coimbra em 1959, estudar Direito.
Em 1963 lança o seu primeiro disco Vinil, “Fados de Coimbra”, que continha “Trova do vento que passa”, balada fundamental na sua carreira, com poema de Manuel Alegre, transformando esta balada numa espécie de hino do movimento estudantil de contestação ao regime.
Militante do Partido Comunista Português, a partir da década de 1960, envolveu-se nas greves académicas de 1962 e concorreu à Direcção da Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo Movimento de Unidade Democrática (MUD).
 É, aliás, assinalável a intransigência com que enfrentou a Censura e os diversos poderes do anterior regime. 
Determinante na formação de toda uma geração de compositores e intérpretes, Adriano Correia de Oliveira empenhou-se no combate político e cultural, antes e depois do 25 de Abril, até à sua morte, em 1982. Permanece assim, um dos artistas mais importantes da segunda metade do século XX.

As quatro canções mais conhecidas


·       Trova do vento que passa;
·       Cantar de Emigração;
·       Canção da Beira Baixa;
·       Fala do Homem nascido; 


Trova do Vento que Passa


Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
o vento nada me diz.

La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la, [Refrão]
La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la. [Bis]

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

[Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.




Fernando Tordo


Biografia
Fernando Travassos Tordo, nascido em Lisboa a 29 de Março de 1948, é considerado por muitos um dos expoentes máximos da música de intervenção em Portugal.
Leva mais de 45 anos de cantigas algumas delas viverão para sempre. Nascidas da dupla “Fernando Tordo e Ary dos Santos”, essas canções são a memória maior de um tempo de poemas e revolução. Um tempo em que o principal palco da música portuguesa era o Festival da RTP.
Hoje, Fernando Tordo, para além de compositor, cantor e intérprete, também se dedica à escrita e à Pintura.

As quatro canções mais conhecidas


·    Tourada;
·    Adeus tristeza;
·    Cavalo à solta;
·    Fado de Alcoentre;

Tourada:

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções.





Trabalho realizado por Juliana Silva, nº 14
História e Geografia de Portugal
As Drogas

O uso de qualquer tipo de droga, lícita ou ilícita, tem consequências que, em alguns casos, podem ser insignificantes e negligenciáveis, mas que em outros casos assumem proporções bastante graves.
Um simples copo de vinho, ou um charro, podem ser objecto de uma primeira experiência que, pela repetição, pode ter efeitos graves num futuro mais ou menos distante, ou mesmo durante o período em que se está sob a sua influência.
Toda a gente já tem uma ideia do significado da palavra droga. Em linguagem comum, do dia-a-dia, a droga tem um significado de coisa má, sem qualidade ("Ah que droga!" ou " logo agora, droga!" ou ainda, "esta droga não vale nada!") . No entanto, em linguagem médica, droga é sinónimo de medicamento.
O termo droga teve origem na palavra droog (holandês antigo) que significa folha seca , isto porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de vegetais. Actualmente, a medicina define droga como sendo “qualquer substância que é capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento.”
 Há muitos tipos de drogas: cocaína, crack, ópio, maconha, tabaco, álcool, entre outras. 
O consumo de drogas é um fenómeno de carácter universal e existe desde épocas remotas.
Num retorno às suas origens, verifica-se que as drogas faziam parte dos rituais de iniciação. O ópio, o álcool, o peiote, o haxixe, entre outros alucinogénicos, eram utilizados para facilitar o contacto com conteúdos inconscientes, cujas imagens e símbolos eram considerados sagrados, sendo fonte de conhecimento e sabedoria.
O uso de drogas fazia parte de um processo complexo de evolução, tinha um sentido e era utilizado de forma orientada e controlada. Os seus efeitos eram muito diferentes dos que se observa hoje em dia. Antigamente, o consumo de drogas estava associado aos rituais de iniciação, aos ritos de passagem que acompanham o desenvolvimento da psique, facilitando as suas transformações.Com o tempo estes rituais foram perdendo a sua força e significado. Contudo a utilização de drogas manteve-se, levando assim a experiências destrutivas.
Hoje em dia, o consumo de drogas é um dos problema sociais mais preocupantes.
A solução passa pela prevenção.
 Ana Carolino, nº1
Formação Cívica